Carl G. Jung e a Alma

26 de julho de 1875 - 6 de junho de 1961

 “Quando readquiria o sentimento de mim mesmo, abandonava o controle e cedia a palavra às imagens e vozes interiores.”

“Na medida em que conseguia traduzir as emoções em imagens, isto é, encontrar as imagens que se ocultavam nas emoções, eu readquiria a paz interior.”
“Se eu tivesse permanecido no plano da emoção, possivelmente eu teria sido dilacerado pelos conteúdos do inconsciente.” ('Memórias, Sonhos e Reflexões', C.G. Jung).

As reflexões acima traduzem com perfeição e são tão exatas quanto o ângulo de 90º da quadratura entre Netuno em Touro e o Sol em Leão de Carl Gustav Jung.

O “sentimento de mim mesmo”(SELF) é a busca intrínseca do Sol em Leão (AUTOCONSCIÊNCIA). A percepção do self ou da autoconsciência no mapa natal de Jung sofre a interferência de uma quadratura (ângulo de 90º) de Netuno com seu Sol. Como já vimos, Netuno é um planeta transaturnino e sua influência é sutil e atinge o indivíduo no âmbito das emoções, intuições e ilusões. Por ser um aspecto tenso, a quadratura exige uma atuação combinada entre a nossa racionalidade e nossa capacidade de transcendência para que não sejamos seduzidos pelos sonhos e fantasias a fim de escapar da realidade que nos aflige e sermos “dilacerados pelos conteúdos do inconsciente”. O caminho que Jung escolheu foi a pesquisa e o entendimento racional da fonte destas imagens e símbolos captados do inconsciente coletivo netuniano. Para isto, ele utilizou seu talento nato de Mercúrio em Câncer para investigar o passado, os mitos antigos do Egito, da Babilônia e da Grécia, por exemplo, até chegar aos primórdios da ciência hermética como a Alquimia e a Astrologia. Sua mente voltada ao entendimento do passado representava também seu interesse e gosto pessoal, pois Vênus estava conjunta a Mercúrio em seu nascimento. Além disto, ambos os astros pessoais estavam a 60º da sua Lua em Touro, ou seja, na sua busca ele encontrava a “paz interior”. No entanto, esta 'tradução', a qual ele se refere, de emoções para imagens não foi um processo fácil para ele, pois exige por demais o estado de “awareness” do Ativismo Quântico. 'Abandonar o controle' a partir da perspectiva do Sol em Leão significa sair do centro da própria personalidade ou abandonar o ego, literalmente. No entanto, é a partir do abandono do próprio ego leonino e da centralização da 'persona' que Jung começou a desenvolver seu processo de individuação. Em outras palavras, seu desafio era entre abandonar totalmente o seu “Eu Sou original” refletindo-se em imagens escapistas e voltadas às emoções egóicas, ou escolher a pesquisa consciente dos arquétipos e permanecer alerta o suficiente para a compreensão profunda das emoções e imagens correspondentes. Jung escolheu a segunda opção e, desta forma, processou seu salto quântico que revolucionou o entendimento da Psicologia comportamental da época e aproximou a ciência cartesiana da ciência hermética.

Jung se interessava pela história individual de cada paciente, seus sonhos e os conteúdos de sua fantasia, enquanto a psiquiatria na época lidava com dados estatísticos para diagnósticos e sintomas. Infelizmente, a ciência cartesiana ainda recorre a dados genéricos até hoje. “O problema que ocupava o primeiro plano de meu interesse e de minhas pesquisas era o seguinte: o que se passa no espírito do doente mental? Neste momento ainda não o sabia, e entre meus colegas ninguém se interessava por isto.” ('Memórias, Sonhos e Reflexões', C.G. Jung).

Netuno é um dos planetas regentes do signo de Peixes por sua afinidade arquetípica. Intuitivamente, Jung dedicou uma obra quase que exclusivamente ao simbolismo do peixe, discorrendo por referências astrológicas, alquímicas e religiosas, especialmente no tocante ao Cristianismo e sua referência máxima ao arquétipo pisciano: “Cristo quer transformar Pedro e André em 'pescadores de homens' e Ele mesmo utiliza a pesca milagrosa (Lucas 5,10) como paradigma da atividade apostólica de Pedro.” ('Aion – Estudos sobre o Simbolismo do Si Mesmo', C.G.Jung). A transformação ou transmutação do signo de Peixes e a missão espiritual apostólica é um dos caminhos que conduz ao inconsciente coletivo. A intuição deste brilhante e intuitivo pesquisador não pára por aí. Aprofundando-se no conhecimento arquetípico e astrológico, Jung alcança a premissa básica da Era de Aquário e sua correlação com o monismo e a interconexão quântica:

Se o éon de Peixes foi governado, ao que tudo indica, principalmente pelo tema arquetípico dos 'irmãos inimigos', por coincidência, com a aproximação do mês platônico imediato, isto é, de Aquário, coloca-se o problema na união dos opostos. Já não se trata mais de volatilizar o mal como mera 'privatio boni', mas de reconhecer sua existência real. Mas este problema não será resolvido nem pela Filosofia, nem pela Economia de Estado, nem pela Política ou pelas confissões históricas, mas unicamente a partir do indivíduo.(JUNG, 1986)

Os insights de Jung e sua tradução arquetípica são exemplos não só do salto quântico netuniano, mas também da elaboração da psique de uma personalidade rebelde, traço uraniano. Urano em Leão também estava a 90º de sua Lua em Touro, representando a possibilidade de se rebelar contra a segurança e estabilidade, requisitos subjetivos da Lua neste signo. O padrão da Lua no signo de Touro condiz originalmente com a necessidade de conforto e manutenção da paz por meio da inércia. A quadratura de Urano em Leão subverte esta necessidade gerando, a princípio, muita ansiedade e insatisfação constante. Para readquirir sua paz interior, conforme reflexão acima, Jung precisava traduzir ou compreender o conteúdo de suas emoções por meio das imagens que surgiam a partir da quadratura entre Netuno e o Sol. Mas isto desestabilizava sua Lua em Touro que necessita da permanência das sensações físicas a partir da permanência emocional. A ansiedade advinda destes conflitos internos poderia levá-lo, além dos escapismos netunianos, à constante busca da satisfação sensorial para aplacar esta ansiedade. No entanto, ele projetou a ansiedade provocada pelo aspecto uraniano em rebeldia contra o 'status quo' da ciência psiquiátrica da época ousando a inserção da filosofia oriental e das antigas ciências herméticas. Isto fez dele um revolucionário, cujo conhecimento avançado na área da Psicologia ainda não é reconhecido pela ciência acadêmica vigente.

O rompimento com Freud também demarca o salto quântico do aspecto entre Urano e a Lua em Touro. Antagonizar com parcerias mais sólidas e estáveis e investir na independência e nas próprias ideias significou para ele um enorme passo em busca de seu poder individual de projetar e defender suas verdades. Neste ponto, Jung revelou a força de Marte em Sagitário, seu grande aliado na luta por aquilo que acreditava. Quando se sentia seguro do conhecimento que buscou, pesquisou e intuiu profundamente com Mercúrio em Câncer, defendia sua razão e veracidade como um guerreiro corajoso, tão digno de seu Marte sagitariano, que nem Júpiter em Libra conseguiu contemporizar e evitar os rompimentos. Sua fidelidade e comprometimento com suas próprias verdades ultrapassaram a necessidade lunar de estabilidade e segurança material.

No entanto, a própria sincronicidade – teorizada por ele mesmo – fez com que ele percebesse que se encontrava no caminho certo. Seu encontro com o físico quântico Wolfgang Pauli para uma consulta, transformou-se em um dos diálogos mais construtivos no que concerne à aproximação entre a ciência e a espiritualidade. Ao descrever a interconexão entre partículas subatômicas, Jung percebeu que Pauli estava traduzindo a sincronicidade para a linguagem da Física. De fato, a semelhança do comportamento entre duas partículas distintas, independentemente da distância entre elas, pode ser considerada como comprovação da teoria junguiana da sincronicidade, ou seja, fatos correlacionados em sua essência sem ligação aparente. A teoria da sincronicidade tornou-se um dos mais fortes pilares da psicologia junguiana ou analítica.

Capítulo extraído do livro O Salto Quântico Astrológico.

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