Caminho da Estrela : Arcano XVII do Tarot de Crowley


 Nada mais gratificante do que a suprema liberdade após enfrentar os medos do Caminho da Lua! E é isto mesmo que o Caminho da Estrela proporciona através do signo de Aquário. O reconhecimento do self quântico no Caminho do Sol nos indicou o propósito para a verdadeira missão cármica de vida. Agora chegou a hora de integrar nossa missão com as de nossos semelhantes, ou seja, com outros indivíduos que compartilham o mesmo ideal e são engajados num mesmo propósito de vida.

 Aquário é o signo dos grupos, das amizades e das comunidades. Este arquétipo enquadra-se desde nosso grupo social mais próximo até toda a raça humana. Por isto que o século XXI é tão crucial para a transição entre a Era de Peixes e a de Aquário, pois a aproximação dos indivíduos por meio da tecnologia internáutica está promovendo a rapidez de comunicação e integrando uma imensa aldeia global. Esta aproximação também auxilia a expansão dos campos morfogenéticos definidos por Rupert Sheldrake como extensões de nossos corpos energéticos que podem trocar informações através da dimensão quântica, ou seja, não local. E é esta a finalidade primordial da Era de Aquário: uma só mente, um só pensamento em prol do bem comum e do bem do planeta. Vários grupos já possuem este engajamento e reúnem forças para disseminar a importância de promover a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Mas a raça humana ainda tem um longo caminho pela frente.

 Existem muitos questionamentos, dúvidas, debates políticos e filosóficos sobre a liberdade. Muitos afirmam que ninguém é dotado de total liberdade, afinal, somos sempre obrigados a prestar contas a um poder maior, a algum governo, mesmo independentes e distantes das nossas origens, da nossa família. Mesmo vivendo à margem da sociedade, precisamos portar documentos pois as leis assim exigem.

 Rudolf Steiner em seu livro “Filosofia da Liberdade” questiona se o homem “é em seu pensar e em seu agir um ser espiritualmente livre ou está ele sujeito a um inflexível determinismo natural?” Sua angústia provocada pelo desafio de seu mapa natal (Saturno em Virgem oposto ao Sol em Peixes) o motivou a se debruçar sobre o poder intuitivo do ser humano e suas possibilidades de manifestação no mundo material. “Temos a sensação de liberdade quando uma ação provém da parte ideativa do nosso ser.” Concluiu que o mundo das ideias e dos instintos nos aproxima do livre arbítrio. Ele encontrou a liberdade no mundo sutil das ideias, ou seja, no monismo ou na espiritualidade como união com o divino.

 James T. Kent em “Filosofia Homeopática” afirma que liberdade se resume em “não sentir”, ou seja, quando você está caminhando, sua consciência só irá se dirigir ao joelho quando o mesmo apresentar algum incômodo ou alguma dor. Quando não temos este tipo de limitação, gozamos de saúde plena e de energia vital equilibrada, portanto, gozamos de liberdade.

 Em outras palavras, muitos pensadores deduzem que a liberdade é algo tão sutil que chega a ser um atributo do inconsciente. Esta é a liberdade mais pura e elevada do arquétipo aquariano. Nossos medos, preconceitos e condicionamentos a partir de uma visão periférica nos tolhem a liberdade mais preciosa que é o livre arbítrio e a liberdade de pensamento. Quantas vezes já não construímos prisões para nós mesmos em empregos maçantes, relacionamentos falidos, moradias insatisfatórias e doenças limitantes? Só que atribuímos a culpa a alguém ou a algum infortúnio. Nunca assumimos a responsabilidade de sermos os detentores da chave da nossa cela. Os Caminhos do Sol e da Lua são fundamentais para o reconhecimento destas prisões e, o da Estrela, para a utilização desta chave. Na verdade, indo até mais longe, desde o Caminho do Universo, você já deve ter reconhecido as...

Principais Prisões do Ego:

  •  Apegos a valores postiços, falsos, irrisórios e voláteis que comandam você a permanecer em um emprego sufocante que não condiz com seus talentos e seus sonhos;
  • Relacionamentos e grupos sociais que estão longe da meta de companheirismo e comprometimento com ideais, mas que fazem parte da promoção de símbolos de “status” e de co-dependências viciantes e estagnadas;
  • Resistência a mudanças que perpetuam situações como compartilhar um lar com familiares ou vizinhos que não suprem suas necessidades básicas de paz, independência nas escolhas por uma religião, por exemplo, e ausência de críticas destrutivas.

     Não existe liberdade alguma nas condições acima e Aquário é o signo do máximo desapego que provoca revoluções, protestos e manifestações. Portanto, toda libertação de prisões é feita a partir do ciclo de um de seus regentes, Urano.

    Citei a tecnologia como um dos atributos do arquétipo aquariano e todo progresso científico também está contido neste signo, por isto que ele rege a nova ciência e está aberto para toda e qualquer novidade e avanço nas áreas do conhecimento, o que pode ser perigoso. O mito de Prometeu, que simboliza com perfeição o arquétipo de Aquário e do cientista, demonstra a preocupação com a Humanidade levando o fogo das alturas do Olimpo para ela à revelia do deus dos deuses, Zeus, e foi condenado ao sofrimento eterno acorrentado no topo de um monte onde, todas as noites, uma águia saciava a fome devorando o seu fígado que voltava a crescer durante o dia devido à sua imortalidade. Imortalidade é algo que todo o cientista e pensador revolucionário acaba recebendo através de suas obras, mesmo que postumamente como Galileu, por exemplo. Por isto, a maturidade, a responsabilidade concedida pelo mais antigo regente de Aquário: Saturno, que impõe limites e restrições para que estes avanços científicos não se tornem destrutivos e satisfaçam apenas o apetite dos egos de cientistas ligados a corporações ou entidades governamentais que visam a eternização de seu poder e lucro. O celular e outros recursos avançados da informática, por exemplo, podem se tornar causas de estagnação, vícios e vida sedentária se não forem usados dentro de um limite.

     A igualdade e a fraternidade completam o pensamento superior aquariano e dissipam o balão egoico que representa a sombra nociva deste signo. A união do “método científico com o objetivo da espiritualidade” já está sendo realizado pelos ativistas e alguns cientistas quânticos que não se preocupam apenas com o avanço e modernidade científicas e filosóficas, mas também com a unificação da Humanidade e da Terra em uma só Consciência.

    Mas aí chegamos ao paradoxo aquariano. Aquário é um signo do elemento Ar de modalidade fixa e famoso pela sua “frieza” comumente divulgado pelos manuais tradicionais de Astrologia. Mas como um arquétipo desta grandeza idealista e humanitária pode ser frio? Por não pertencer ao elemento Água e energeticamente estar mais conectado à potencialidade intelectual do elemento Ar, as afinidades emocionais e sentimentais do signo de Aquário precisam ser desenvolvidas para vibrar positivamente e engajar-se no idealismo e no humanitarismo coerentes com seu arquétipo. Então, este paradoxo se transforma em carma e é o que o Caminho da Estrela propõe, pois ele conecta a esfera do Plano Astral com a do Sentimento.

     “Todo homem, toda mulher é uma Estrela” segundo o primeiro capítulo do Liber Al Vel Legis, o Livro da Lei de Thelema ditado por uma entidade chamada Aiwass para Aleister Crowley em abril de 1904 no Cairo. Mesmo sendo parte de um todo, temos a centelha divina ou o self quântico única. Isto faz de nós seres criativos capazes de transformar o carma através do Amor. As estrelas encontram-se no firmamento que, segundo a mitologia egípcia, faz parte da Grande Mãe ou Nuit que é representada na carta da Estrela. Com a mão direita, ela segura uma taça dourada que despeja o néctar, a ambrosia, o prana ou a amrita – o alimento divino que proporciona imortalidade – a partir da Substância Primordial. As estrelas de sete pontas em movimento espiral representam Vênus ou o Amor Infinito derramado na Terra pela taça prateada de Nuit: desta taça saem formas retangulares, uma referência à nossa necessidade de impor padrões e limites à simplicidade da emanação divina. Este arcano foi desenhado de maneira tão inspirada que permite notarmos a beleza dos símbolos de renovação como os diversos espirais, as borboletas e as flores. A sinuosidade da deusa que demonstra o fluxo e a eternidade do Cosmo e como deve ser percorrido o Caminho da Estrela – das esferas do Plano Astral ao Sentimento – com liberdade e renovação, mas de maneira suave e amorosa.

     
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