Astrologia Cármica e Nodos Lunares

 

Nodos lunares são pontos de intersecção entre a órbita lunar e a eclíptica, o caminho percorrido pelo Sol. O ponto ascendente de cruzamento da Lua é o nodo norte, o ponto descendente, nodo sul. Quando ocorre a fase cheia ou nova da Lua próxima a um dos nodos, acontece o eclipse solar (Lua Nova) ou o eclipse lunar (Lua Cheia).

Herdamos a interpretação astrológica destes nodos a partir da astrologia árabe que avançou muito durante a Era Medieval e influenciou os astrólogos europeus. Na Astrologia chinesa, os nodos são chamados de Cabeça de Dragão (Norte) e Cauda do Dragão (Sul). O dragão se alimenta com a cabeça e elimina o que foi “processado” pela cauda.

A interpretação mais comum destes pontos opostos complementares tem como fundamento o carma da reencarnação. A grosso modo, o nodo lunar sul representa potenciais e experiências adquiridas em outras vidas que podem ser utilizadas para o desenvolvimento e evolução de novos aprendizados na encarnação presente. No entanto, o conceito de reencarnação é religioso e espiritualista e, desta forma, não está contido na Astrologia que é uma ciência quântica. Por isto mesmo, é dever do astrólogo informar-se antes se o cliente é reencarnacionista ou não para não correr o risco de misturar “alhos com bugalhos”.

Pessoalmente, acredito em reencarnação por várias razões. Já estudei técnicas de regressão, tive sonhos sobre os quais precisei consultar um especialista em detalhes históricos para situá-los no tempo e no espaço, dentre outros fatores que, até o momento, não me deixaram dúvidas sobre este tema. No entanto, são experiências pessoais e, como astróloga, não posso impor crenças resultantes das mesmas no meu trabalho. Além disto, tenho clientes ateus, evangélicos e muitos que não acreditam em reencarnação.

Como interpretar os nodos lunares nestes casos? A reencarnação pode ser uma crença mas, a hereditariedade não é. E a hereditariedade está contida na teoria da ressonância morfogenética do biólogo Rupert Sheldrake que, apesar de não ser aceita por grande parte dos cientistas materialistas, tem bases na Física Quântica. A ressonância morfogenética é uma espécie de campo magnético ou quântico carregado de informações e padrões que herdamos através da vivência dos nossos antepassados por milhares de anos. Este campo morfogenético, como o próprio nome já diz, é transmitido em paralelo ao nosso DNA. Em outras palavras, é uma espécie de campo vital dos cromossomos e bases nucleotídicas.

Se considerarmos nosso campo morfogenético semelhante à mônada quântica ou self quântico, até podemos configurar a possibilidade de reencarnação. Não nos moldes do Espiritismo ou do Budismo, mas entendendo nossa mônada quântica como parte da substância primordial, ou o Deus de Espinoza, cuja definição foi adotada por Einstein. Isto explicaria a perda da memória das 'outras vidas' pois, a persona não faz parte da pureza essencial da substância primordial.

Independentemente de crenças e teorias, a interpretação do eixo nodal é bastante simples: a experiência e o aprendizado adquirido (nodo sul) que irá servir de “alimento” para os desafios da nova vivência. Adotando a alusão arquetípica chinesa, gosto de pensar nos nodos não em oposição, mas como o ouroboros: figura mitológica onde uma serpente ou dragão está engolindo a própria cauda. Afinal, os ciclos de morte e renascimento e nossa informação morfogenética é infinita.

Os nodos encontram-se em um signo e em uma casa astrológica no momento do nascimento. Exemplo: quem nasceu com o nodo lunar sul em Capricórnio na 9ª casa, adquiriu grande sabedoria e especialização em alguma área do conhecimento. No entanto, pode ter se tornado cético ou rígido em suas crenças e filosofia de vida. Como o nodo lunar norte sempre estará no signo e casa opostos, ou seja, em Câncer na 3ª casa, o aprendizado evolutivo atual é a volta às origens, o entendimento do passado para a compreensão da atualidade. Sua tarefa ou dharma é transmitir e aplicar seu aprendizado e sabedoria por meio do ensino e da comunicação mais emocional, acolhedora e flexível.

São muitas as combinações entre signos e casas para a interpretação dos nodos lunares, sem contar seu contato com o ascendente, meio-do-céu e astros. Conhecer apenas os nodos lunares é o suficiente para entender o potencial adquirido e a tarefa evolutiva? Não. Nosso mapa de nascimento representa nosso microcosmo que, se não observado de forma holística, permite divagações e informações incompletas. Este microcosmo é o resultado de todas as nossas vivências como alma ou como mônada quântica. Os nodos indicam o 'norte' ou a direção fundamental das nossas escolhas e atos. Em outras palavras, fixar-se em apenas um ou dois elementos do mapa astrológico é quase a mesma coisa que acreditar na Astrologia apenas através do horóscopo solar.

Tudo está conectado no nosso universo pessoal. Recursos planetários, aspectos e configurações podem contribuir ou desafiar o direcionamento do nodo norte e, este tipo de informação, é parte integrante da interpretação do mapa cármico. A teoria quântica e o princípio hermético do mentalismo são coerentes na explicação da interconexão e da sincronicidade. Diante destas visões e reflexões, não é possível separar a parte do todo.

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