Arcanos Menores do Tarot – Dois de Paus

 

Apesar da complexidade da Tarologia, o estudo minucioso e profundo de seus 78 arcanos a partir de sua correlação com a Árvore da Vida torna este conhecimento compreensível e dentro da lógica que permeia o Esoterismo.


A Árvore da Vida, estrutura principal da Cabala, representa um sistema que sistematiza todo o conhecimento da Espiritualidade. Ela explica o criacionismo e a evolução da alma humana utilizando os arquétipos compartilhados pela Astrologia, pelo Tarot e pela Numerologia Cabalística. Seu estudo é recomendado a todos que buscam o entendimento da ciência esotérica, longe das dualidades e julgamentos religiosos.


Por isto que, todo o tarólogo ou a pessoa que gosta de utilizar o Tarot como auxiliar terapêutico em sua meditação e reflexão, pode beneficiar-se do conhecimento da Árvore da Vida, sem necessitar da memorização de 78 arcanos, sem contar a interpretação de aberturas que combinam dois ou mais arcanos.


Gostaria de chamar a atenção de vocês, que têm afinidade com a tarologia, para o Dois de Paus.


Em primeiro lugar, é importante lembrar que, dos 78 arcanos, 40 são menores, ou seja, praticamente metade. Estes 40 arcanos menores são divididos em 4 naipes cujos significados são inerentes aos 4 elementos:


  • Paus – Elemento Fogo
  • Espadas – Elemento Ar
  • Copas – Elemento Água
  • Ouros – Elemento Terra


Cada um dos 10 arcanos menores pertencentes a um naipe está contido em cada uma das 10 Sephiroth (esferas conectoras dos caminhos da Árvore da Vida). Portanto, entendendo as propriedades de cada Sephiroth, compreende-se o valor do arcano.


Voltando para o Dois de Paus: os quatro arcanos menores (Dois de Paus, Dois de Espadas, Dois de Copas e Dois de Ouros) estão contidos na Sephiroth Binah, reponsável pela formação arquetípica da Substância Primordial em Kether, Sephiroth mais sublime e divina. Os Ases estão em Kether, pois correspondem à pré-manifestação e à pureza etérea. Quando esta “semente” ou pré-manifestação encontra uma segunda possibilidade, inicia-se a formação arquetípica a partir de dois fatores, duas forças ou duas teses. Desta forma e, dependendo do naipe e seu respectivo elemento na Natureza, pode-se dizer que cria-se uma tensão que é facilmente identificada no Dois de Paus do Tarot de Thoth ou de Crowley. Aleister Crowley foi um ocultista que estudou profundamente a Árvore da Vida em escolas iniciáticas, tendo criado suas próprias teorias posteriormente, e seu Tarot é um verdadeiro compêndio do conhecimento Esotérico. É fácil perceber seu entendimento cabalístico e astrológico nos arcanos menores. Perceba a tensão entre os dorjes tibetanos e as labaredas produzidas por este choque. Crowley definiu Marte em Áries como regente desta carta. Marte é o astro regente de Áries e, o deus da guerra em seu ambiente explosivo favorito, ou seja, o elemento Fogo de Áries unido a modalidade cardinal do signo que inicia nosso Equinócio de outono. Por isto que conflitos, antagonismos, confrontos, brigas, agressividade são atribuídos a este arcano. No entanto, devemos lembrar que o dinamismo da criatividade é favorecido por este “conflito”. Se nos acomodamos em uma opinião ou em um lado da situação sem sermos provocados a lançar um olhar para o oposto, não criamos, não crescemos e não expandimos. Por isto que os arcanos menores de valor Três representam a expansão e a amplitude criativa. Mas, isto é história para outra oportunidade.


Interessante observar outro Dois de Paus, do Alchemical Tarot desenvolvido por Robert Place que tem como tema os processos alquímicos. Perceba que não existe tensão como no seu correspondente de Thoth, mas contribuição, parceria. A mão que surge de uma nuvem acende outro bastão na terra. As atribuições planetárias são condizentes com a contribuição da mente (Mercúrio) junto aos processos da Natureza sensorial (Vênus). Esta é uma forma muito construtiva de entender o dinamismo do Dois de Paus. O elemento Fogo, o calor, é necessário a praticamente todas as etapas de operações alquímicas como a extração da anima do vegetal (óleo essencial), por exemplo. A inserção consciente do calor na Natureza desencadeia a produção, o crescimento e o florescimento.


O Dois de Paus é inimigo da inércia e da estagnação. Ele não deixa a energia contida ou fechada que acaba perdendo a força. O antagonismo que dispara o conflito ativa a energia. É saudável conviver com contrariedades, pois elas promovem nossa evolução e produção.


E onde fica a intuição no meio disto? É importante lembrar que todos nós temos nossa intuição em potencial. Prefiro utilizar a definição do professor Amit Goswami para ela: intelecto supramental, ou seja, um intelecto superior com acesso à psique coletiva e a singularidades etéreas. Claro que alguns de nós têm uma maior facilidade de acessá-lo – são aqueles cujas casas astrológicas 8 e 12 são enfatizadas no mapa de nascimento, onde a natureza existencial é voltada para assuntos paranormais, mediunidade, dentre outros. No entanto, todos nós somos capazes de valorizar o próprio intelecto supramental por meio de reflexões, desenvolvendo uma vida mais silenciosa, isolada, contemplativa e meditativa. Integrar o intelecto fundamental com o supramental é salutar para o entendimento das ciências herméticas e a interpretação de seu significado como as aberturas ou leituras do Tarot.


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