O Satanismo, Como ele é.

O Bem e o Mal existem na nossa realidade e são palpáveis para qualquer um com o mínimo de consciência. Para muitos, o Bem é representado por Deus e o Mal, por Satã ou Diabo. Será que é tão simples ou esta convicção é fruto de uma manipulação?

Se considerarmos o Bem como proveniente de Deus, temos que incluir todas as religiões que têm um ou mais deuses ou entidades do Bem. O Cristianismo e o Islamismo, por exemplo. Será que as Cruzadas, a Inquisição, a sharia e o radicalismo islâmico são frutos do Bem? Ao longo da História e, até nos dias atuais, notamos que as convicções religiosas em nome de Deus ou do Bem Maior estão mais para a novilíngua orwelliana. Aquele que é adepto contumaz de qualquer religião que promete uma recompensa como o Paraíso ou 72 virgens acredita que as leis ou a doutrina daquela religião é a perfeita tradução das recomendações de um determinado deus e, seguindo cegamente esta doutrina, será merecedor de tudo aquilo que o Bem pode oferecer.

Por outro lado, Satã é considerado o Mal para as religiões organizadas como é o caso do Cristianismo e do Islamismo, as maiores religiões do mundo atual. Satã ou Lúcifer é o responsável pela expulsão dos primeiros humanos do Paraíso, justamente por revelar a eles o conhecimento do Bem e do Mal. Lúcifer significa “mensageiro da Luz” e este é o motivo desta revelação. Assim como Prometeu que roubou o fogo dos deuses do Olimpo e o entregou aos humanos, o objetivo de Lúcifer é revelar ao humano o conhecimento que pode torná-lo tão poderoso quanto o próprio Criador. Claro que este conhecimento e o poder que dele demanda não é interessante às religiões organizadas que pretendem dominar e conter suas ovelhas. Portanto, Satã, Lúcifer e, até mesmo os EUA, que são chamados de Grande Satã pelos radicais islâmicos, são taxados como o Mal absoluto, que deve ser abominado e destruído. O conhecimento e, consequentemente, a liberdade são abominados pelas religiões organizadas pois, se o ser humano entendesse o Universo de forma diferente, sem as doutrinas religiosas, qual seria a importância destas religiões?

A importância seria renovada a partir dos novos paradigmas da Era de Aquário. Já está mais do que na hora de novas reformas religiosas. Estou me referindo não apenas às duas mais predominantes, mas a todas as demais que também necessitam de uma reforma diante de paradigmas racionais, levando-se em conta a evolução intelectual do ser humano e de suas possibilidades de acesso à informação. Hoje em dia, Lúcifer não teria muito trabalho para disponibilizar o conhecimento ao ser humano, uma vez que a evolução da informática e da internet está fazendo este papel.

A Cabala Draconiana ou Hermética expõe não apenas os caminhos de Thoth, mas os túneis de Seth. Para cada ser angelical ou potestade que domina uma Sephirah, existe um demônio para a respectiva Qlipha, pois estamos em um mundo de Luz e Sombra e um não existe sem o outro.

Lilith, por exemplo, é o demônio que domina a Qlipha oculta de Malkuth. É a serpente na base da Árvore, também conhecida como Kundalini ou Nidhogg, o dragão que também permanece na base de Yggdrasil, a Árvore da mitologia nórdica. Nidhogg desafia a águia que fica no topo de Yggdrasil e o conflito entre estas duas entidades é apimentada ou amenizada por um esquilo, Ratatosk, que faz o papel de mensageiro entre os dois. Lilith, Kundalini ou Nidhogg são seres que desafiam a ordem, são a “sombra” e o lado oculto das coisas que incomoda e costuma ser destinado ao ostracismo ou ao repúdio, sendo desclassificados por supostamente pertencerem ao Mal ou a Satã. Na verdade, estes elementos obscuros que fazem parte dos nossos instintos e do nosso inconsciente interferem em nossas escolhas. Negá-los ou obstruí-los apenas causa distorção da nossa visão de mundo, problemas emocionais, vários problemas de saúde, além da alteração significativa em nosso comportamento como o fanatismo e a violência. Aqui reside o paradoxo: aquilo que grande parte das pessoas acredita ser “satanismo” ou o “mal” é justamente a “cura” ou a força vital delas. As metáforas mitológicas apenas revelam alegoricamente nossos arquétipos interiores. O Mal está nas escolhas ou na mente de cada ser humano.

Grupos considerados adoradores de Satã como os elementos da lista de Epstein, por exemplo, que fazem sacrifícios animais ou, até mesmo, humanos, dentre outras bizarrices ritualísticas estão equivocados e, no máximo, conseguem invocar espíritos ou demônios do mais baixo escalão a fim de se esbaldarem em um êxtase que, nada mais é do que a mais abissal ilusão. Estas práticas podem fornecer alguma sensação de poder, mas poluem o duplo etéreo destes 'adoradores', que acabam definhando com doenças degenerativas. Uma espécie de entretenimento que pode custar caro demais.

Satã, Seth e Saturno são mitos que desafiam o poder estabelecido. Satã ou Lúcifer desafiou Deus, Seth desafiou Osíris e Saturno, seu pai, Urano. A história mais conhecida é a de Lúcifer. Seth matou seu irmão Osíris, assim como Saturno ou Chronos matou seu pai Urano. É a luta pelo poder, assim como nossa sombra luta para vir à luz. Mas a metáfora da luta pelo poder significa os saltos quânticos evolutivos que cada um de nós, no domínio do próprio livre-arbítrio, podemos conquistar. A estagnação e a abnegação diante de um poder maior podem degenerar-se na negação da própria existência livre e individual. Quando estamos conscientes da mobilidade incutida no nosso livre-arbítrio, não precisamos que digam o que somos, a que “casta” pertencemos ou o que podemos ou não fazer.

Este é o segredo do verso mais popularizado da Lei de Thelema: “Faz o que tu queres, há de ser o Todo da Lei”, conforme protagonizado pelo profeta da Era de Aquário, Aleister Crowley considerado levianamente por muitos como satanista. Na verdade, Crowley estudou, pesquisou, intuiu e percebeu que o ser humano deve percorrer o caminho de acordo com sua Vontade com “V” maiúsculo, pois não se trata apenas de “tomar banho de chapéu” como o querido thelemita Raul Seixas cantava, mas da realização de todos os potenciais de cada alma humana, não apenas percorrendo os caminhos de Thoth, mas também os túneis de Seth, como seres completos que podemos ser.

É muito perigoso beber de fontes radicais e inquisitórias não apenas das religiões, mas também de outros poderes estabelecidos que insistem em fazer escolhas por nós: o governo, as agências de notícias oficiais, as indústrias farmacêuticas dentre outros, cujos tentáculos corruptos sempre tentam chegar até nós e drenar nossa Vontade. “Não acredite em mim” dizia Crowley, pois o conhecimento nunca esteve tão exposto como hoje e, cada um de nós pode observar e chegar à sua conclusão inviolável, sem depender de um tutorial por parte de terceiros. Agora vocês estão começando a entender o que é o Mal. É a mente ou a egrégora formada por mentes perversas que querem deter o poder a todo custo. Deus onipresente sabia que Lúcifer estava no jardim e iria oferecer a fruta, Osíris conhecia as artimanhas de seu irmão e Urano poderia impedir seu filho. Mas, a evolução começa no Cosmos e, o Cosmos é móvel, sua mobilidade é infinita. A desarmonia é a guardiã do Mal, pois reter um ser em uma gaiola chamada destino, sem possibilidade de destruição-construção ou morte-renascimento é o pior dos Males.

Hoje a humanidade se encontra em mais um desafio cósmico diante dos novos paradigmas da Era de Aquário. O Bem se encontra no arquétipo de Aquário que é, essencialmente, a liberdade. O Mal está na estagnação de ideias, na imposição de verdades absolutas e inquestionáveis (tudo é questionável), na tirania e na obliteração da inteligência humana pela inteligência artificial. Lúcifer é e sempre será um aliado da humanidade e, se prestarmos atenção na Estrela Matinal, ela irá iluminar precocemente nossas mentes nos salvando das tiranias e da estagnação. Aceitando o desafio de Seth, Osíris renasceu muito mais poderoso com o auxílio de Ísis. Saturno, considerado algoz por muitos, até mesmo por alguns astrólogos, nos prepara para a evolução. Quando despertamos Lilith ou a Kundalini apropriadamente começamos aos poucos um caminho de abertura dos nossos chakras e da nossa visão transcendental, quando podemos perceber e optar pela harmonia (Bem) ou pela desarmonia (Mal) sem equívocos.

 



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