A origem do Tarot perde-se no início dos tempos, assim como a origem da Astrologia.
Seu uso e significado estão relacionados aos arquétipos da personalidade humana, as formas de abertura do jogo obedecem a uma sincronicidade junguiana que auxilia no auto-conhecimento e orientam o consulente quanto a aspectos ocultos no inconsciente pessoal ou coletivo, além de ajudarem na tomada de decisões. O Tarot usado para adivinhação depende muito mais do poder mediúnico do tarólogo do que do aprofundamento arquetípico e analítico das lâminas. Por isto, defendo o uso do Tarot de forma terapêutica que expôe e traduz as ocorrências camufladas e distorcidas nas profundezas do nosso turbilhão psíquico, ao mesmo tempo que propõe soluções ou orientações para o momento.

 










Formato autêntico do Tarot:

u 22 Arcanos Maiores
Série também conhecida por “Viagem do Louco”, compreende as etapas humanas de desenvolvimento e aprendizado ao longo da existência.


u 16 Figuras da Corte
São os tipos de personalidade humana. Trabalham com os 4 elementos da natureza de forma a constituir bases de comportamento.

u 40 Arcanos Menores
Reúnem as características mais práticas do cotidiano pessoal, vícios e virtudes. São divididos em 4 séries de 10 lâminas, também referentes aos 4 elementos da natureza:

n FOGO

Iniciativa, força, expansão, impulso, paixão, coragem.

n AR

Intelecto, comunicação, relacionamentos, conhecimento.

n ÁGUA

Emoções, intuição, transformações, ilusões, transcendência.

n TERRA

Ambição, finanças, sensação, profissão, bens materiais.

Os jogos mais utilizados na Europa, por exemplo, são o Tarot de Rider-Waite e o Tarot de Crowley, pelo menos nos países de língua alemã e inglesa.

Por sua atualidade, profundidade e beleza artística, optei peloTarot de Thoth ou de Crowley, concebido pelo mago inglês Aleister Crowley (1875-1947), desenhado pela artista plástica Frida Harris (1877-1962) e lançado em 1944 sob o título “Livro de Thoth”. Trata-se do jogo mais contemporâneo e revolucionário que já foi criado. A arte de suas lâminas é magnífica e revela detalhes astrológicos, cabalísticos, filosóficos e mitológicos em cada um dos 78 arcanos. O caráter revolucionário está na sua diferença de abordagem das situações reveladas pelos arcanos correspondentes aos Tarots mais tradicionais, Marselha e Rider-Waite. Os exemplos mais clássicos são:



O arcano 11, a Força, na maioria dos Tarots, apresenta uma donzela placidamente fechando a boca de um leão. Já, no Tarot de Crowley (figura à direita), este arcano sofre uma modificação no nome (Lust, luxúria, lascívia em português). O desenho representa Babalon cavalgando a Besta do Apocalipse de maneira voluptuosa, afrontando a pseudo-castidade e pureza dos outros tarots que cultivavam o bloqueio dos instintos e desejos da natureza humana.

O arcano 20, o Julgamento na maioria dos Tarots, demonstra a cena bíblica do Juízo Final, onde existe um parâmetro dogmático para a absolvição e ascenção ao Paraíso ou condenação e danação no Inferno. No Tarot de Crowley (figura à direita) o mesmo arcano recebe o nome de Aeon (derivada do grego aion, que significa era, período de existência) e demonstra o deus egípcio Hórus, deus da Nova Era, como criança e na sua forma com cabeça de falcão. A Nova Era, também conhecida como Era de Aquário, prevê transformações a nível humanitário e tecnológico. Não prevê fronteiras, guerras e perda da liberdade. Muito diferente da Era de Peixes que durante 2000 anos impôs a culpa e o sofrimento para absolvição dos pecados.